sexta-feira, 30 de março de 2012

“A TRANSFORMAÇÃO”

Texto Base: Isaías 6. 1 – 8.

Introdução: O Rei Uzias reinou 27 anos (de 767 a 740 a.C.) Tendo sofrido de lepra conforme 2º Cr 26.16-21, morreu no ano de 740 a. C. Isaias viu o Filho de Deus. Era uma visão de Jesus na glória à qual voltaria depois de viver e morrer na terra.

A Transformação total torna o homem:

1- Privilegiado“Eu vi o Senhor” v.1
“No ano em que o Rei Uzias morreu, eu vi o Senhor! Ele estava sentado em um trono alto e majestoso; todo o templo estava cheio da Sua Glória”.
a) Eu vi = Isaias descreve aqui uma “teofania”, uma manifestação visível de Deus.
b) O Senhor = No hebraico, Adonai, que significa “Soberano”.
c) Trono = O Senhor no Seu Trono, governa os Céus e a Terra.
d) O Templo = Em sua visão, Isaias não viu a templo de Jerusalém, mas o tem-plo Celestial. (Ap 4.1-8).

2- Convicto“Ai de mim”v.5
“Então eu pensei em voz alta: Chegou a minha hora! Vou morrer porque sou um pecador. Cada vez que abro a boca eu peco, e isso acontece com todo o meu po-vo. E agora eu vi o Rei, o Senhor do Universo”.
a) Ai de mim = Tendo anunciado seis “ais!” no cap. 5, o profeta acrescenta um sétimo contra ele mesmo na qualidade de representante de uma nação deso-bediente. Isaias ficou espantado diante da glória de Deus; à semelhança de Pedro, ele ficou com medo. Isaias pronuncia uma maldição oracular contra si mesmo. (Oracular = Palavra, sentença ou decisão inspirada, infalível, ou que tem grande autoridade).

3- Consciente“Sou homem de lábios impuros”v.5
“Então eu disse: Ai de mim! Estou perdido! Pois os meus lábios são impuros...”.
a) Lábios impuros: = Uma natureza impura que se expressa por enunciação (declaração) inapropriada.
Impuro: Objeto, lugar ou pessoa que, por estarem cerimonialmente sujos, não podiam ser usados ou tomar parte no culto de adoração à Deus. A impu-reza ritual podia ser resultado de: contato com sangue; com o corpo de um morto; como um alimento proibido.)


4- Purificado“Através da brasa do Altar”v.7
“Ele tocou a minha boca com a brasa e disse: De agora em diante você é consi-derado ‘inocente’ porque esta brasa tocou os seus lábios. Os seus pecados fo-ram perdoados”.
a) Brasa..., boca = Isto é parte do simbolismo da visão. Isaias não foi tocado fisicamente. Vemos aqui um ser humano na presença do Deus Santo é con-denado. Mas o Deus misericordioso toma a iniciativa de oferecer expiação, porque Isaias estava contrito.
b) A minha boca...: = A purificação torna o profeta aceitável como ministro das palavras de Deus.


5- Perdoado“Teu pecado foi perdoado”v.7
a) O caminho da reconciliação: Reconhecer seus pecados por causa da comu-nhão com Deus; por causa da santidade de Deus.
b) A purificação dos pecados: Providenciada por Deus e aplicada ai indivíduo.


6- Atencioso“Ouvi a voz do Senhor” v.8
“Em seguida ouvi a voz do Senhor Deus Eterno dizer: ‘Quem é que Eu vou enviar? Quem será o nosso mensageiro? Quem Eu vou enviar ao meu povo? Quem irá?’ - E eu respondi: ’Eu irei, Senhor’. Mande-me!”
a) Ouvi a voz... = O Senhor convidou Isaias a ouvir o que foi tratado na reuni-ão da corte real dos céus. Daquele instante em diante, Isaias tornou-se um servo da corte de Deus e proclamador da mensagem de Deus a reis e ao po-vo em geral.
c) Quem Eu vou enviar? = O profeta agora iluminado, purificado e chamado está pronto para oferecer-se como voluntário para o difícil ministério profé-tico. Só depois de purificado é que Isaias foi designado profeta.
{Esse trecho nos faz lembrar a Grande Comissão de nosso Senhor ressurreto, que ordenou proclamar o Evangelho da Salvação a todo mundo. Se aquela ordem de sair apoderar-se do nosso coração, devemos responder da mesma maneira que Isaias: “Eis-me aqui, envia-me a mim. – Solícito e Obediente.}


7- CONCLUSÃO:
Esse trecho nos faz lembrar a Grande Comissão de nosso Senhor ressurreto, lá em Mateus 28.18-20 que ordenou proclamar o Evangelho da Salvação a todo mundo. Se aquela ordem de sair apoderar-se do nosso coração, devemos responder da mesma maneira que Isaias: “Eis-me aqui, envia-me a mim.
Devemos ser como foi Isaias: Solícito e Obediente.


Pr. Paulo Ludwig Batista
Nova Camboriú







segunda-feira, 26 de março de 2012

APOLOGÉTICA

"Como Mostrar Que a Bíblia é Verdadeira"
I. Profecia Cumprida Demonstra a Verdade
A profecia do futuro é uma das maiores evidências para demonstrar que a Bíblia é verdadeira. Por exemplo a profecia contra Tiro (Ez. 26:3-5,12,14). No ano 590 aC. Nabucodonosor capturou Tiro e destruiu os muros, mas a profecia diz que lançarão a cidade "no meio das águas". 240 anos passou até Alexandre atacar a cidade e descobrir que os cidadãos tinham passado a uma ilha de distancia de 2 km no mar. Alexandre tomou as pedras, madeiras, e pó da cidade destruída e construiu uma ponte até a ilha. Agora a ponte está sendo usada para enxugar as redes, exatamente como a Bíblia profetizou. A Palavra é fiel. Há 2.000 profecias já cumpridas na Bíblia - com precisão.
II. Profecias Messiânicas e Os Manuscritos do Mar Morto
No ano de 1.947 alguns beduínos árabes descobriram rolos numa caverna perto do Mar Morto. Estes manuscritos tem profecias sobre Jesus Cristo e são mais velhos do que todos os manuscritos que tivemos antes. Todos estes manuscritos são mais velhos do que, ou antedatam, o tempo de Cristo. Alguns são mais do que 300 anos antes de Cristo. Dentro destes manuscritos foi descoberto um rolo completo de Isaias, que inclui 55 profecias a respeito de Cristo. De acordo com a lei de probabilidade, se um fato é profetizado, tem probabilidade de 50% que vai acontecer ou não. Se tem duas profecias, a probalidade é 4 a 1. (Os dois acontecerão, os dois não acontecerão, um acontecerá e o outro não, ou o outro acontecerá e o um não). Para 11 profecias, a probabilidade para todas de acontecer é 2.048 a 1. Para 25 profecias a probabilidade é 33.554.532 a 1. Sendo que o rolo de Isaías tem 55 profecias cumpridas, a probabilidade para isso acontecer é 36.028.797.018.963.968 a 1. (Isso é apenas com o livro de Isaías). Há mais do que 300 profecias com referência ao Cristo que são já cumpridas. A Bíblia é verdade.
III. Outras Religiões e Seitas Não Tem Profecia
Todas as outras religiões faltam profecia (budismo, hinduismo, etc.). Mohammad, o líder dos muçulmanos, fez uma profecia - que voltará à Meca (profecia auto-cumprida). Há muitas seitas que também fez grande erros. Por exemplo:
Igreja de Deus Mundial (Armstrong) - profetizou que Hitler venceria os Russos em 1941.
Testemunhas de Jeová - profetizaram que Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas voltarão no ano de 1925.
Os Mormons - profetizaram que Jesus nascerá em Jerusalém (Alma 7:10).
Religiões falsas não fazem profecias ou profetizarão em falso. Só a Bíblia tem 2.000 profecias cumpridas - pode crer na Bíblia.
IV. Problemas na Teoria de Evolução (Darvinismo)
Evolução das espécies é uma teoria ensinada por professores, e não por cientistas. Geralmente é apresentada como um fato absoluto que mostra que a Bíblia é falsa. A teoria diz que "todas as formas vivas, incluindo o homem, estão no processo de desenvolvimento de organismos simples a outras formas mais complexas, atravessando linhas e formando outras formas". Mais e mais cientistas estão descobrindo que esta teoria não concorda com os fatos da ciência. O trabalho do antropologista Ricardo Leakey destruiu muitas das idéias de evolução e os cientistas estão começando a rejeitar esta teoria (que não é fato). O fóssil humano que ele descobriu destruiu o pensamento de descendência direta do macaco ao humano. Alguns dos outros problemas com esta teoria são:
1) Falta de evidência - Não há evidência de mutação ou evolução de espécies nos fósseis. A vida apareceu de repente no período Cambrio, mostrando a criação.
2) Falta de Formas em Transição - Todos os fósseis são identificados claramente com as espécies já classificadas. Não existe formas em transição entre espécies.
3) Desintegração - Seja plantas ou animais, nada volta ao estado original se cessar os cuidados. O universo não está na evolução para o melhor. No contrario, é uma lei de física que o universo está na dissolução, na desintegração. Se o mundo está "progredindo à perfeição como os evolucionistas dizem, por que tudo vai piorar? (ferrugem, decomposição, etc.)
4) Vestígio - Evolução diz que no corpo humano tem órgãos que permanecem desde nossos animais antepassados de qual nós somos descendentes. 100 anos no passado, houve 180 destes órgãos no corpo classificados como vestígios, uma parte inútil do corpo. Hoje tem-se descoberto a função de quase todos destes 180, menos 4 ou 5 (o problema de evolução é para provar o surgimento de órgãos novos, não para provar a perda dos velhos).
5) Chance - Evolução diz que o mundo evolveu por chance. Existe mais do que 16 trilhões de células no corpo, cada uma com uma função especifica. Cada célula é independente mas o organismo completo é coordenado completamente. Pode ser chance?
6) Diferença entre homem e animal - Homem é muito diferente do que qualquer animal - ele tem raciocínio, anda em pé, tem religião, etc. Não há comparação.


sábado, 17 de março de 2012

AVIVAMENTO NOS DIAS DE JONATHAN EDWARDS


Alderi Souza de Matos 

Introdução.

  • Jonathan Edwards, um pastor congregacional que viveu no século XVIII, é hoje considerado pelos historiadores um dos maiores teólogos e pensadores da história dos Estados Unidos. Ele foi não somente um dos instrumentos do primeiro grande reavivamento ocorrido naquele país, mas o maior estudioso e intérprete desse fenômeno.
  • Através de vários livros que escreveu, ele analisou os eventos cuidadosamente, em seus diferentes aspectos. Em essência, Edwards apoiou alegremente o reavivamento, vendo nele a manifestação genuína do Espírito de Deus, mas também foi um crítico severo dos desvios, exageros e impropriedades que por vezes ocorreram. Uma de suas principais preocupações foi mostrar em seus escritos quais os critérios pelos quais se pode reconhecer a autenticidade de uma experiência religiosa dessa natureza.

  1. Contexto Religioso

  • Quando Jonathan Edwards iniciou o seu ministério, a sua região, a Nova Inglaterra, já havia sido colonizada pelos ingleses há cem anos. Os colonizadores foram os famosos puritanos, calvinistas que lutaram por uma igreja mais pura no seu país de origem e que eventualmente foram para o Novo Mundo a fim de viverem sem impedimentos de acordo com as suas convicções.
  • Ao chegarem a Massachusetts, primeiro a Plymouth in 1620 e depois a Salem e Boston em 1629-30, eles procuraram edificar uma comunidade verdadeiramente cristã e uma igreja composta de pessoas convertidas e consagradas a Deus. Apesar de alguns problemas, e de certa intolerância para com outras pessoas e grupos que pensavam de maneira diferente, eles conseguiram realizar esse ideal por algum tempo.
  • Eventualmente, depois de um período inicial de sofrimentos e provações amargas, os colonos prosperaram materialmente na nova terra cheia de tantas oportunidades. No final do século XVII, a vida na Nova Inglaterra era em grande parte pacífica e confortável. A maioria das pessoas pertenciam à classe média e quase não havia pobreza. O nível educacional também era relativamente alto.
  • Todo esse progresso havia sido alcançado por causa dos valores religiosos e éticos dos puritanos, como o seu amor ao trabalho, sua disciplina de vida, sua rejeição de vícios e a preocupação em serem bons mordomos das bênçãos de Deus.
  • Porém, juntamente com a prosperidade material, ocorreu um declínio no fervor religioso entre as novas gerações. O cristianismo de muitos tornou-se meramente nominal; o mundanismo e a apatia espiritual tornaram-se generalizados. Além disso, novas ideologias vindas da Europa, o racionalismo e o iluminismo, com sua ênfase na razão e na capacidade humana, também estavam influenciando muitas pessoas.
  • Nesse ambiente desanimador, pastores e membros das igrejas oravam por um reavivamento das energias espirituais do povo de Deus. E isto ocorreu através do Grande Despertamento (1720s-40s), o primeiro evento da história norte-americana a atingir pessoas das diferentes colônias com um interesse religioso comum.

  1. Jonathan Edwards

  • Jonathan Edwards nasceu em 1703, sendo filho de um consagrado ministro congregacional. Precoce e piedoso desde a sua meninice, aos 12 anos ele escreveu a uma de suas irmãs: "Pela maravilhosa misericórdia e bondade de Deus, tem ocorrido neste lugar uma extraordinária atuação e derramamento do Espírito de Deus... tenho razões para pensar que isso diminuiu em certa medida, mas espero que não muito. Cerca de treze pessoas uniram-se à igreja num estado de plena comunhão." Depois de dar os nomes dos convertidos, ele acrescentou: "Acho que muitas vezes mais de trinta pessoas se reunem às segundas-feiras para falar com o Pai acerca da condição das suas almas."
  • Edwards obteve o seu grau de bacharel no Colégio de Yale em 1720, onde continuou seus estudos teológicos e trabalhou como professor assistente por algum tempo. Após um breve pastorado numa igreja presbiteriana de Nova York, em 1726, aos 23 anos de idade, ele foi auxiliar o seu avô, Salomão Stoddard, o famoso pastor da igreja de Northampton, Massachusetts.
  • No ano seguinte, Jonathan casou-se com Sarah Pierrepont, então com 17 anos de idade, filha de um pastor bem conhecido e bisneta do primeiro prefeito de Nova York. Os historiadores destacam a harmonia, amor e companheirismo que sempre caracterizou a vida do casal. Eles gostavam de andar a cavalo ao cair da tarde para poderem conversar e antes de se deitarem sempre tinham juntos os seus momentos devocionais.
  • Jonathan e Sarah tiveram 11 filhos, todos os quais chegaram à idade adulta, fato raro naqueles dias. Em 1900, um repórter identificou 1400 descendentes do casal Edwards. Entre eles houve 15 dirigentes de escolas superiores, 65 professores, 100 advogados, 66 médicos, 80 ocupantes de cargos públicos, inclusive 3 senadores e 3 governadores de estados, além de banqueiros, empresários e missionários.
  • Em 1729, com a morte do seu avô, Jonathan tornou-se o pastor titular da igreja de Northampton, na qual, através de sua poderosa pregação, ocorreu um grande avivamento cinco anos mais tarde (1734-35). O Grande Despertamento tivera os seus primórdios alguns anos anos entre os presbiterianos e reformados holandeses na Pensilvânia e Nova Jérsei, cresceu com as pregações de Edwards e atingiu o seu apogeu no ano de 1740, com o trabalho itinerante do grande avivalista inglês George Whitefield (1714-1770). [Sobre o avivamento entre os presbiterianos, ver o recente artigo do Rev. Frans L. Schalkwijk, "Aprendendo da História dos Avivamentos," em Fides Reformata II-2.]
  • Em 1750, após 23 anos de pastorado, Jonathan Edwards foi despedido pela sua igreja, a razão principal sendo a sua insistência em que somente pessoas convertidas deviam participar da Ceia do Senhor, em contraste com a prática anterior do seu avô. No seu sermão de despedida, depois de advertir a igreja sobre as contendas que nela havia e os perigos que isto representava, ele concluiu: "Portanto, eu quero exortá-los sinceramente, para o seu próprio bem futuro, que tomem cuidado daqui em diante com o espírito contencioso. Se querem ver dias felizes, busquem a paz e empenhem-se por alcancá-la (1 Pe 3:10-11). Que a recente contenda sobre os termos da comunhão cristã, por ter sido a maior, seja também a última. Agora que lhes prego o meu sermão de despedida, eu gostaria de dizer-lhes, como o apóstolo disse aos coríntios, em 2 Co 13:11: "Quanto ao mais, irmãos, adeus! Aperfeiçoai-vos, consolai-vos, sede do mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz estará convosco."
  • No ano seguinte, Edwards foi para Stockbridge, uma região remota da colônia de Massachusetts, onde trabalhou como pastor e missionário entre os índios. Em 1757, a sua excelência como educador e sua fama como teólogo e filósofo fez com que ele fosse convidado para ser o presidente do Colégio de Nova Jérsei, a futura Universidade de Princeton. Um mês após a sua posse, Edwards faleceu devido a complicações resultantes de uma vacina contra varíola.

  1. Jonathan Edwards e o Avivamento

  • A maior contribuição de Jonathan Edwards para a igreja evangélica está nos importantes livros que escreveu como teólogo e intérprete do avivamento. Curiosamente, sua obra mais conhecida é pouco representativa do seu pensamento como um todo. Trata-se do célebre sermão "Pecadores nas mãos de um Deus irado," que ele pregou na cidade de Enfield em 1741. A ênfase maior dos seus escritos e sermões não está na ira de Deus, e sim na sua majestade, glória e graça.
  • Além de muitas conversões e santificação de vidas, o Grande Despertamento também aprofundou uma divisão entre os líderes que eram favoráveis ao avivamento e aqueles que não eram. O problema ficou mais sério quando, após a obra de pregadores sérios e equilibrados com Edwards e Whitefield, surgiram imitadores sensacionalistas que manipulavam emocionalmente as pessoas. O Dr. Lloyd-Jones diz que Edwards lutou em duas frentes: contra os adversários do avivamento e contra os extremistas; contra o perigo de extinguir o Espírito e contra o perigo de deixar-se levar pela carne e ser iludido por Satanás.
  • Nesse contexto, Edwards propos-se a defender o avivamento como obra do Espírito de Deus, ao mesmo tempo que combateu os excessos e desvios que muitas vezes ocorriam. Foi nesse sentido que ele escreveu vários livros de grande valor, o primeiro deles sendo a Narrativa Fiel da Surpreendente Obra de Deus (1736-37), em que descreveu o recente despertamento em sua cidade e regiões vizinhas. Alguns anos depois, ele escreveu Alguns Pensamentos sobre o Atual Reavivamento da Religião na Nova Inglaterra (1742), analizando o movimento mais amplo. Esta obra baseia-se parcialmente em algumas profundas experiências espirituais da sua esposa Sarah.
  • Em 1746, Edwards publicou a sua obra mais amadurecida sobre o assunto, o seu Tratado sobre as Afeições Religiosas (resultou de uma série de sermões sobre 1 Pedro 1:8), no qual argumentou que o cristianismo verdadeiro não se evidencia pela quantidade ou intensidade das emoções religiosas, mas por um coração transformado que ama a Deus e busca o seu prazer. Ele faz uma análise rigorosa das diferenças entre a religiosidade carnal, que produz muita comoção, e verdadeira espiritualidade, que toca o coração com a visão da excelência de Deus e o liberta do egocentrismo.
  • Como bom calvinista que era, Edwards também escreveu algumas obras em defesa das convicções reformadas acerca da incapacidade moral e espiritual dos seres humanos e sua profunda necessidade da graça transformadora de Deus: A Liberdade da Vontade (1754) e O Pecado Original (1758).

  1. A Genuína Experiência Religiosa

  • Nos seus escritos, Jonathan Edwards avaliou a experiência religiosa à luz das Escrituras e das suas convicções reformadas. O ponto de partida da sua pregação e da sua teologia foi o Deus soberano, em sua majestade, graça e glória. Esse Deus criou o universo e o ser humano para manifestar a sua grandeza e o seu amor. A majestade e a graça de Deus também se revelam de modo supremo no envio de Cristo para redimir os pecadores.
  • Nenhum avivamento ou experiência religiosa é genuína se não realçar esse Deus sublime em sua soberania, graça e amor. O critério principal é este: se quem está no centro das atenções é Deus ou o ser humano. Para que Deus esteja no centro é necessário, em primeiro lugar, que haja nos corações um profundo senso de incapacidade, de dependência de Deus, e de convicção da nossa pecaminosidade. Além disso, é preciso que haja a consciência de que toda genuína experiência religiosa é fruto da atuação do Espírito de Deus, que transforma e santifica os pecadores, capacitando-os a amar e honrar a Deus em suas vidas.
  • Portanto, todas as teorias de salvação que dão ênfase às obras humanas ou à capacidade humana só desmerecem a grandeza do amor de Deus revelado a nós em Cristo Jesus e tornado real em nossos corações somente pela iluminação do Espírito Santo.
  • Edwards crê na necessidade de transformação do ser humano. A moralidade externa não é suficiente, daí a importância da conversão. Por outro lado, para aqueles que já são crentes, uma fé simplesmente racional ou intelectual não basta. É preciso que a pessoa se aproxime de Deus não só com o entendimento, mas com os sentimentos. Cabeça e coração (luz e calor) devem funcionar juntos na vida conduzida pelo Espírito. O próprio Edwards era um exemplo disso. [Ver D.M. Lloyd-Jones, Jonathan Edwards e a Crucial Importância de Avivamento, PES, 12-18.]
  • Em todas as suas obras Edwards insistiu na importância dos afetos profundos na vida espiritual. Por "afetos" ou "afeições" ele se referia às disposições do coração que nos inclinam para certas coisas e nos afastam de outras. Todas as nossas ações derivam dos nossos desejos: ou nos comprazemos no Deus vivo e buscamos servi-lo e honrá-lo, ou somos cativos de desejos voltados para alvos menores.
  • Edwards advertiu contra dois grandes erros no avivamento. Primeiro, o mero emocionalismo: os avivalistas podem simplesmente excitar as emoções das pessoas e produzir falsas conversões. Emoções intensas não são uma evidência clara acerca de uma experiência religiosa. No seu grande tratado sobre as Afeições Religiosas, Edwards delineou cuidadosamente testes bíblicos quanto a uma experiência religiosa genuína; eles incluíam uma ênfase na obra graciosa de Deus, doutrinas consistentes com a revelação bíblica, e uma vida marcada pelos frutos do Espírito.
  • O segundo erro é dar ênfase não a Deus, mas às respostas humanas a Ele, algo muito comum hoje com toda a celebração do eu, as experiências pessoais, os testemunhos auto-congratulatórios. Edwards insistiu em que a essência da verdadeira espiritualidade é ser dominado pela visão da beleza de Deus, ser atraído para a glória das suas perfeições, sentir o seu amor irresistível.
  • Portanto, na verdadeira experiência cristã, o conhecimento de Deus é algo sensível, experimental. A verdadeira experiência cristã consiste não somente em conhecer e afirmar doutrinas cristãs verdadeiras, por importantes que sejam, mas é um conhecimento afetivo, ou a consciência das verdades que a doutrina descreve. Difere do conhecimento especulativo, assim como o sabor do mel difere do mero entendimento de que o mel é doce. O cristão, diz Edwards, "não apenas crê racionalmente que Deus é glorioso, mas têm em seu coração o senso da majestade de Deus."
  • Se nossos corações são transformados pelo amor de Deus, assim devem ser transformadas as nossas ações. Se somos mudados ao contemplarmos a beleza do amor de Deus, então amaremos de maneira especial todo ato de virtude que reflete o caráter amoroso de Deus.

Conclusão

  • Jonathan Edwards acreditava na importância e necessidade do avivamento. Ele viu o Grande Despertamento como uma obra do Espírito de Deus, revitalizando e capacitando a igreja para a sua missão no mundo. Ao mesmo tempo, ele estava consciente de desvios, excessos e até mesmo atuações satânicas que produziam excentricidades, descontrole emocional, ostentação e escândalos.
  • Porém, ele entendia que tais problemas não invalidavam os aspectos positivos do avivamento e, mais ainda, que alguns dos "fenômenos" ou "manifestações," ainda que inusitados, eram admissíveis diante das experiências profundas da graça de Deus que muitas pessoas estavam tendo, inclusive a sua esposa. Tais coisas, em si mesmas, nada provavam.
  • Os critérios que realmente indicavam se as conversões e o despertamento eram genuínos ou não eram os frutos visíveis: convicção de pecado, seriedade nas coisas espirituais, preocupação suprema com a glória de Deus, apego profundo às Escrituras, mudanças no comportamento ético, relacionamentos pessoais transformados e influência transformadora na comunidade.
  • Só esse tipo de avivamento será uma bênção para as nossas vidas, nossas igrejas e nosso país.

Fontes:

  • D.M. Lloyd-Jones, Jonathan Edwards e a Crucial Importância de Avivamento (São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas)
  • Mark A. Noll, A History of Christianity in the United States and Canada
  • Paul Helm, "Edwards, Jonathan (1703-1758)," em New International Dictionary of the Christian Church
  • "Jonathan Edwards and the Great Awakening," Church History IV, no. 4, especialmente os artigos "Colonial New England: An Old Order, A New Awakening," de J. Stephen Lang e Mark A. Noll; "My Dear Companion," de Elisabeth S. Dodds; "Edwards’ Theology: Puritanism Meets a New Age," de Richard Lovelace; e "Jonathan Edwards Speaks to our Technological Age," de George M. Marsden.
  • Luiz Roberto França de Mattos, "Jonathan Edwards and the Criteria for Evaluating the Genuineness of the ‘Brazilian Revival’," Tese de Mestrado em Teologia, Centro de Pós-Graduação A. Jumper, 1997




Fé e criatividade - Spurgeon


“E não podendo aproximar-se dEle, por causa da multidão, descobriram o eirado no ponto correspondente ao em que Ele estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o doente” Marcos 2.4

“A fé é cheia de criatividade”. A casa estava cheia, a multidão bloqueava a porta, mas a fé encontrou uma maneira de alcançar o Senhor e colocar o homem paralítico diante dEle. Se nós não pudermos trazer os pecadores até Jesus pelos métodos normais, nós deveremos utilizar métodos extraordinários. Parece, de acordo com Lucas 5.19, que o telhado tinha que ser removido, o que poderia fazer poeira e causar certa medida de perigo para os que estavam abaixo, mas onde o caso é muito urgente, nós não devemos temer correr alguns riscos e abalar algumas conveniências. Jesus estava ali para curar, e portanto caísse o que caísse, a fé arriscou tudo para que seu pobre paralítico sobrecarregado pudesse ter seus pecados perdoados. Oh, se tivéssemos fé mais ousada entre nós! Nós não podemos, caro leitor, pedir nesta manhã por nós mesmos e por nossos colegas de trabalho, e tentar realizar, hoje, alguma ação nobre por amor as almas e para a glória do Senhor?

O mundo está constantemente criando; a genialidade satisfaz a todos os propósitos do desejo humano - não pode a fé criar também, e alcançar por alguma nova maneira os proscritos que estão perecendo à nossa volta? Foi a presença de Jesus que despertou a coragem vitoriosa nos quatro carregadores daquele homem paralítico - Não está o Senhor entre nós agora? Nós temos visto Sua face por nós mesmos nesta manhã? Temos sentido seu poder de cura em nossas próprias almas? Se é assim, então, através da porta, através da janela, ou através do teto, deixe-nos, rompendo através de todo impedimento, trabalhar para trazer pobres almas para Jesus. Todos os meios são bons e decorosos quando fé e amor são verdadeiramente usados para ganhar almas. Se a fome por pão pode atravessar paredes, certamente a fome por almas não deve ser impedida neste esforço.

Oh Senhor, faze-nos ágeis em sugerir métodos para alcançar Teus pobres pecadores, e ousados para carrega-los apesar de todas as dificuldades!

Charles Haddon Spurgeon